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O futuro da mobilidade aérea começa no planejamento urbano das cidades

“A mobilidade aérea avançada só será bem-sucedida se estiver conectada ao contexto urbano e às demandas reais das cidades”. Essa é a análise de Horacio Rossi, diretor da Mott MacDonald, consultoria de gestão, engenharia e desenvolvimento com sede no Reino Unido. É a partir dessa premissa que os vertiportos deixam de ser apenas uma inovação tecnológica para se consolidar como parte estratégica do planejamento urbano nas grandes metrópoles. Rossi afirma que essa não é mais uma promessa futurista e sim uma agenda concreta nas principais cidades do mundo. Nesse contexto, os vertiportos, ou seja, estruturas destinadas a pouso e decolagem de aeronaves elétricas de decolagem vertical (eVTOLs), ganham protagonismo como peças-chave na transformação dos sistemas de transporte.

No Brasil, a Urban Systems tem atuado diretamente nesse movimento. A consultoria de inteligência de mercado e planejamento urbano está envolvida em estudos para a implantação de vertiportos, assessorando a UrbanV e Mott Macdonald interessadas em desenvolver a infraestrutura no país. Os levantamentos contemplam diferentes áreas da cidade, com foco em eixos comerciais e polos de emprego, onde já foram identificados imóveis com potencial para receber esse tipo de equipamento urbano. As análises levam em conta critérios como densidade urbana, rede de energia, acessibilidade e capacidade de absorver fluxos relevantes de passageiros.

Na opinião de Paulo Takito, sócio-diretor da Urban Systems, o ponto de partida não está na tecnologia, mas na cidade. “Os vertiportos precisam ser pensados a partir da lógica urbana. Quando analisamos território, demanda, conectividade e desenvolvimento econômico, devemos enquadrar essa infraestrutura como parte do planejamento das cidades, e não como iniciativas isoladas”, explica Takito.

Esse avanço também é impulsionado por parcerias internacionais. A Mott MacDonald e a UrbanV, referência em projeto e gestão de vertiportos, firmaram um memorando de entendimento para atuação conjunta no desenvolvimento da infraestrutura de Mobilidade Aérea Avançada (MAA). O acordo prevê a avaliação de oportunidades e a estruturação de projetos em escala global, incluindo aeroportos, vertiportos e sistemas de movimentação aérea. A combinação entre a experiência operacional da UrbanV e a expertise técnica da Mott MacDonald busca acelerar a implantação de soluções viáveis nos próximos anos.

Áreas de regeneração e hubs de transporte existentes

No Reino Unido, o diretor da Mott MacDonald afirma que essa evolução
ocorre de forma mais cautelosa, porém sólida. Os focos são:

– Ambientes de teste e demonstração, antes da implantação urbana em larga escala;

– Forte atenção a planejamento, salvaguardas urbanas e aceitação pública;

– Integração preferencial com áreas de regeneração e hubs de transporte existentes;

– Conexão direta com o ecossistema britânico de advanced air Mobility (mobilidade aérea avançada).

De acordo com Rossi, o resultado é um avanço menos visível, mas mais consistente, criando bases para uma implantação escalável no futuro.

Como integrar os vertiportos e o papel da Urban Systems

Rossi conta que os vertiportos avançam rapidamente do campo conceitual para as primeiras fases de implantação e, principalmente, de integração aos sistemas urbanos. “Observa-se uma mudança clara de projetos pontuais para redes conectadas a aeroportos, centros financeiros e áreas de alta geração de viagens. Além disso, há uma evolução regulatória importante, com diretrizes de órgãos como a EASA e a FAA trazendo mais previsibilidade para planejamento e investimentos”, complementa o diretor. Outro aspecto relevante, aponta ele, é a integração com sistemas energéticos e digitais, posicionando os vertiportos como parte da infraestrutura. “A pergunta já não é mais se ‘podemos construir vertiportos?’, e sim ‘como integrá-los de forma segura, eficiente e aceitável às cidades?’, provoca Rossi.

Para o executivo da Mott MacDonald, é nesse ponto que o trabalho da Urban Systems se destaca. Ao aplicar análises baseadas em território, demanda, conectividade e desenvolvimento econômico, a consultoria ajuda a enquadrar os vertiportos como parte do planejamento urbano e da política pública, e não como projetos isolados de inovação. Segundo ele, os vertiportos precisam estar conectados a:

– Planos de mobilidade e planos diretores;
– Redes de transporte existentes;
– Estratégias de desenvolvimento regional;
– À realidade fiscal e institucional do país.

“Sem isso, o risco é criar soluções tecnológicas desconectadas das reais necessidades urbanas. Especialmente no Brasil, onde os recursos são limitados e os desafios territoriais são grandes, decisões baseadas em dados e visão sistêmica são fundamentais. O futuro da mobilidade aérea urbana não será definido apenas no ar: ele será decidido no chão das cidades”, analisa Rossi.

A principal lição é sobre o tema é clara: vertiportos não são apenas infraestrutura aeronáutica e sim infraestrutura urbana. E é essa mudança de perspectiva que vai definir o sucesso da mobilidade aérea urbana nos próximos anos.

Foto: Freepik.

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