Taxa de condomínio sobe acima da inflação no Rio e pesa no orçamento das famílias
O custo de morar em condomínio continua pesando cada vez mais no orçamento das famílias cariocas. Dados do Índice Superlógica, elaborado a partir da maior base de condomínios do país, mostram que a taxa de condomínio no Rio de Janeiro registrou aumento expressivo em 2025, bem acima da inflação oficial do período.
Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou o ano em 4,26%, segundo o IBGE, a taxa condominial no estado avançou 11,70%, o que representa um crescimento 174,6% superior à inflação.
No cenário nacional, o aumento foi menor, mas ainda acima do índice inflacionário: a taxa condominial subiu 6,8% no Brasil, um avanço 59,6% acima da inflação registrada no período.
Valor médio do condomínio compromete mais da metade do salário mínimo
De acordo com o levantamento, o valor médio da taxa de condomínio no estado do Rio de Janeiro ficou em R$ 853,32 em 2025.
Esse valor corresponde a 56,21% do salário mínimo vigente no ano passado, que era de R$ 1.518.
Quando comparado ao salário mínimo atual, de R$ 1.621, o valor médio do condomínio ainda representa 52,64% da renda mínima nacional, reforçando o impacto significativo desse custo no orçamento doméstico.
Inadimplência cai no estado e fica abaixo da média nacional
Apesar da elevação das taxas condominiais, o índice de inadimplência apresentou queda no estado.
O Rio de Janeiro encerrou 2025 com inadimplência de 6,03%, abaixo da média nacional, que foi de 6,28%. O número representa uma redução de 0,98 ponto percentual em relação a 2024.
Ao longo do ano, o maior índice de inadimplência no estado foi registrado em setembro, com 7,38%, enquanto o menor nível ocorreu em outubro, quando atingiu 5,58%.
Custos operacionais e juros pressionam as taxas condominiais
Segundo João Baroni, Diretor de Crédito do Grupo Superlógica, a elevação das taxas condominiais está diretamente relacionada ao aumento de diversos custos operacionais.
“A alta da taxa de condomínio acima da inflação reflete uma combinação de fatores: juros elevados, que encarecem contratos e serviços, inflação ainda pressionando itens do dia a dia e custos operacionais que pesam no orçamento, especialmente folha de pagamento e investimento em tecnologia e segurança. Esse conjunto empurra o valor da taxa para cima”, afirma.
Ele ressalta ainda que, mesmo com a redução da inadimplência, o aumento das taxas preocupa.
“Apesar da queda na inadimplência condominial, os valores das taxas de condomínio trazem preocupação, já que comprometem a renda e o poder de compra dos brasileiros”, acrescenta.
Norte lidera inadimplência entre as regiões do país
A análise regional do levantamento mostra diferenças relevantes entre as regiões brasileiras.
Em 2025, a região Norte apresentou o maior índice de inadimplência condominial do país, com 7,86%.
Na sequência aparecem:
- Nordeste: 6,09%
- Sudeste: 5,93%
- Centro-Oeste: 5,70%
- Sul: 4,74% (menor média do país)
O maior pico regional de inadimplência também foi registrado na região Norte, que chegou a 9,63% em setembro de 2025.
Nordeste registra as taxas de condomínio mais altas do país
Em relação aos valores médios das taxas condominiais, o levantamento aponta que as regiões Nordeste, Norte e Sudeste apresentaram os maiores custos.
Os valores médios em 2025 foram:
- Nordeste: R$ 885,08
- Norte: R$ 868,79
- Sudeste: R$ 848,47
Todas essas regiões ficaram acima da média nacional.
Em 2024, os valores médios eram:
- Nordeste: R$ 826,51
- Norte: R$ 802,82
- Sudeste: R$ 793,54
Logo depois aparecem:
- Centro-Oeste: R$ 735,64 (R$ 676,11 em 2024)
- Sul: R$ 661,26 (R$ 627,49 em 2024)
Peso da taxa de condomínio em relação ao salário mínimo
Quando comparadas ao salário mínimo atual de R$ 1.621, as taxas condominiais representam parcelas significativas da renda mensal dos brasileiros.
O levantamento mostra a seguinte proporção:
- Nordeste: 54%
- Norte: 54%
- Sudeste: 52%
- Centro-Oeste: 45%
- Sul: 41%
Base de dados reúne mais de 130 mil condomínios no Brasil
O Índice Superlógica é elaborado com base em uma ampla base de dados do setor condominial.
O levantamento reúne informações de aproximadamente 130 mil condomínios em todo o país, que somam mais de 6,3 milhões de unidades residenciais, entre casas e apartamentos.
Os dados são totalmente anonimizados, o que significa que não podem ser associados a pessoas específicas.
A base contempla os 27 estados brasileiros e mais de mil cidades, analisando informações como:
- valor da taxa de condomínio
- tipo de imóvel (casa ou apartamento)
- localização
- datas de vencimento e pagamento
Para calcular a inadimplência, o estudo considera boletos com atraso superior a 90 dias.
Condomínios mais baratos registram maior inadimplência
O levantamento também segmentou os condomínios de acordo com o valor da taxa mensal:
- Baixa: até R$ 500
- Média: entre R$ 500 e R$ 1.000
- Alta: acima de R$ 1.000
Os dados indicam que condomínios com taxas mais baixas apresentam maior nível de inadimplência.
No último trimestre de 2025, os números foram:
- Até R$ 500: 9,96% de inadimplência em dezembro
- Entre R$ 500 e R$ 1.000: 6,03%
- Acima de R$ 1.000: 4,53%
A faixa de menor valor também registrou o maior pico de inadimplência do ano, atingindo 11,46% em setembro de 2025.
Inadimplência pode comprometer manutenção e obras em condomínios
A falta de pagamento da taxa condominial gera impactos diretos tanto para moradores quanto para a gestão dos condomínios.
Do lado do morador, a dívida pode evoluir para processo judicial e até perda do imóvel em leilão, caso a inadimplência persista.
Para o condomínio, a inadimplência dificulta o planejamento financeiro coletivo, podendo comprometer:
- manutenções de rotina
- melhorias estruturais
- obras necessárias no prédio
Tecnologia surge como alternativa para gestão condominial
Uma das soluções disponíveis no mercado para lidar com esse cenário é o Inadimplência Zero (IZ), produto desenvolvido pelo Grupo Superlógica.
A ferramenta garante ao condomínio o recebimento da cota condominial mesmo quando há atraso no pagamento por parte do morador, ajudando a manter o fluxo de caixa da administração.
“Embora muitos condomínios possuam fundos de reserva para lidar com a inadimplência, é fundamental buscar uma solução mais eficaz. Com o Inadimplência Zero, garantimos ao condomínio uma arrecadação planejada e sem imprevistos, além de disponibilizarmos outras ferramentas para que o morador consiga quitar seu débito”, explica João Baroni.
Leia também: Alta do valor do condomínio no Rio chega a 13% em um ano
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