Reforma tributária traz novos desafios e atenção extra ao mercado de aluguel por temporada no Brasil
O mercado de aluguel por temporada no Brasil vive forte expansão, com mais de 600 mil imóveis ativos em 2025, impulsionado por plataformas digitais e turismo doméstico. Mas mudanças previstas na reforma tributária começam a impactar o mercado de locação e acendem um alerta também para quem investe em aluguel por temporada.
As novas regras buscam maior clareza na tributação dos contratos e podem alterar o enquadramento fiscal de imóveis alugados por curtos períodos. Entre as principais novidades está a regra de que pessoas físicas só passam a ser consideradas contribuintes no novo regime tributário se tiverem receita anual de aluguel superior a R$ 240 mil e mais de três imóveis alugados, um critério que deve influenciar a forma como investimentos em aluguel por temporada são planejados.
Turismo e plataformas digitais impulsionam o setor
Mesmo diante desse novo contexto, o aluguel por temporada segue em expansão no país, impulsionado pela retomada do turismo, pela popularização das plataformas digitais e por mudanças no perfil do consumidor.
Regiões turísticas, cidades litorâneas e grandes centros urbanos continuam concentrando alta demanda, o que mantém o modelo no radar de investidores interessados em rentabilidade superior à do aluguel tradicional.
Análise de viabilidade é fundamental
Segundo Ramiro Delgado, especialista em investimentos imobiliários, o potencial de retorno existe, mas não dispensa análise prévia.
“Imóveis para aluguel por temporada valem o investimento, sim, só que é preciso fazer um estudo antes. É necessário entender qual é a taxa de ocupação da região, quanto se cobra de diária e quais são os custos associados”, afirma.
De acordo com ele, despesas com mobília, equipamentos e adequações do imóvel costumam ser subestimadas.
“Muita gente não considera esses custos, mas para colocar um imóvel nesse modelo é preciso investir para deixá-lo pronto”, destaca.
Vantagens e desafios do modelo
A possibilidade de ajustar preços de acordo com a demanda é uma das principais vantagens do aluguel por temporada, especialmente em períodos de férias, feriados prolongados e eventos regionais.
Em contrapartida, o modelo exige uma gestão mais ativa, com maior rotatividade de hóspedes e custos recorrentes de manutenção.
Trabalho remoto amplia oportunidades
O avanço do trabalho remoto também tem contribuído para o crescimento do setor.
“Hoje, muitas pessoas viajam por períodos mais longos e procuram imóveis que ofereçam estrutura para trabalhar e morar temporariamente. Isso ajuda a manter a ocupação fora da alta temporada”, explica Delgado.
Atenção às mudanças tributárias
Apesar do cenário favorável, o especialista reforça que o investimento deve ser feito com cautela, especialmente diante das mudanças tributárias.
“É fundamental colocar na conta taxas de plataformas, impostos, custos operacionais e possíveis restrições legais ou condominiais. Sem uma análise de viabilidade bem feita, o risco é entrar nesse mercado apenas pelo modismo”, conclui.
Leia também: Rescisão de contrato de aluguel: entenda regras, multas e direitos de inquilinos e proprietários
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