Protagonismo feminino no mercado imobiliário transforma a forma de comprar imóveis
O avanço do protagonismo feminino vem promovendo transformações relevantes na forma como incorporadoras, construtoras e imobiliárias estruturam a experiência do cliente. Mais do que consumidoras, as mulheres assumem papel central como decisoras, investidoras e influenciadoras diretas na compra de imóveis, impactando desde o desenvolvimento dos projetos até as estratégias de relacionamento e atendimento.
Perfil do público feminino no mercado imobiliário
De acordo com a terceira edição do Anuário Data Zap, baseada em entrevistas com 2.024 pessoas, o perfil predominante de quem buscou imóveis para compra em 2024 é formado por mulheres da geração X (entre 41 e 60 anos), casadas, com filhos, pertencentes à classe B e tutoras de pets.
O levantamento aponta ainda que 52% dos interessados em imóveis à venda são mulheres, enquanto 48% são homens. Na análise por faixa etária, a geração X lidera, representando 51% dos entrevistados.
Mudança no comportamento de compra e decisão
Segundo a especialista em comportamento do consumidor e fundadora da Pon.to Arquitetura, Isabela Baracat, o setor imobiliário atravessa um momento de inflexão importante.
“As mulheres estão mais informadas, conectadas e exigentes. Elas priorizam propósito, funcionalidade, segurança e qualidade de vida antes de tomar uma decisão. Isso demanda do mercado uma atuação mais estratégica e alinhada à jornada real do cliente”, destaca.
Nesse contexto, o processo de compra começa muito antes da visita ao imóvel. A pesquisa digital ganha protagonismo, com foco em avaliações online, reputação das empresas, posicionamento sustentável e clareza das informações.
Experiência do cliente vai além da compra
A jornada do cliente no mercado imobiliário deixou de ser apenas transacional e passou a ter um caráter relacional. Para o público feminino, fatores como transparência, respeito ao tempo e qualidade no pós-venda são determinantes.
“A experiência não termina na assinatura do contrato. Ela se estende à entrega do imóvel, ao suporte oferecido e à vivência no espaço”, explica Isabela.
Critérios valorizados na escolha do imóvel
Cada vez mais protagonistas na aquisição de imóveis — seja de forma independente ou como influenciadoras da decisão familiar —, as mulheres priorizam atributos que atendam diferentes dimensões da vida cotidiana.
Entre os principais critérios estão:
- Segurança no entorno e no empreendimento
- Mobilidade e acesso a transporte público
- Proximidade de serviços essenciais
- Plantas flexíveis e ambientes multifuncionais
- Áreas comuns voltadas ao bem-estar
- Sustentabilidade e eficiência energética
De acordo com a especialista, aspectos como iluminação adequada, circulação inteligente, acessibilidade e integração com o bairro são fundamentais para a percepção de qualidade de vida.
Sustentabilidade deixa de ser diferencial
Outro ponto relevante é a valorização de empresas com posicionamento claro em relação à diversidade, responsabilidade social e práticas sustentáveis.
Um estudo da Brain Inteligência Estratégica indica que fatores como eficiência energética, uso consciente de água e presença de áreas verdes planejadas já fazem parte dos critérios de escolha — especialmente entre mulheres que participam ativamente da decisão de compra.
“A sustentabilidade deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser um requisito básico. O público feminino busca empreendimentos comprometidos com soluções ambientais e impacto urbano positivo”, afirma Isabela.
Atendimento consultivo e personalizado ganha força
O comportamento de compra feminino também influencia diretamente o modelo de atendimento. As mulheres tendem a realizar pesquisas detalhadas, comparar opções e buscar referências antes de tomar uma decisão.
“Elas equilibram emoção e razão. Buscam identificação com o projeto, mas exigem dados concretos, coerência e bom custo-benefício”, analisa.
Diante disso, incorporadoras e imobiliárias precisam investir em:
- Atendimento consultivo e personalizado
- Comunicação clara e objetiva
- Integração entre canais digitais e presenciais
- Pós-venda estruturado
- Equipes diversas e representativas
Diversidade e inovação como diferencial competitivo
Empresas que promovem diversidade em posições estratégicas tendem a desenvolver soluções mais alinhadas às expectativas do público feminino, fortalecendo sua capacidade de inovação e competitividade.
Ignorar essa transformação pode significar perda de relevância em um mercado cada vez mais dinâmico.
Para Isabela Baracat, o futuro do setor está diretamente ligado à escuta ativa e contínua desse público.
“Não basta adaptar campanhas em datas pontuais. É necessário construir estratégias consistentes que reconheçam a mulher como protagonista econômica e social. Essa mudança não é passageira, mas estrutural”, conclui.
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