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Investimento em imóveis ganha força em momentos de incerteza no mercado financeiro

Investimento em imóveis ganha força em momentos de incerteza no mercado financeiro

Episódios recentes envolvendo instituições financeiras, como o caso do Banco Master, costumam provocar um aumento na desconfiança de parte dos investidores em relação às aplicações disponíveis no mercado. Esse tipo de situação afeta principalmente quem tem menos experiência com investimentos e reacende um velho ditado popular entre os brasileiros: quem compra terra, nunca erra.

Em cenários de maior instabilidade ou dúvidas sobre o sistema financeiro, o investimento em imóveis volta a ganhar destaque como alternativa considerada mais segura por muitos brasileiros. O setor imobiliário, historicamente, ocupa posição relevante entre as opções de aplicação de longo prazo no país.

De acordo com levantamento da Brain Inteligência Estratégica realizado no segundo trimestre de 2025, quase metade da população brasileira (49%) demonstra intenção de adquirir um imóvel nos próximos anos.

Imóvel como ativo real e previsível

Para o especialista imobiliário Guido Santos, momentos de turbulência no mercado financeiro costumam reforçar ainda mais o interesse pelo investimento em imóveis.

Segundo ele, mesmo aplicações consideradas conservadoras carregam algum nível de risco. Já o imóvel possui características que o tornam uma alternativa mais previsível.

“O investimento financeiro, mesmo aqueles considerados mais conservadores e seguros, sempre trazem algum grau de risco. Nesse contexto, o investimento imobiliário se consolida, mais uma vez, como uma alternativa sólida, previsível e com lastro real”, afirma.

O especialista ressalta que, apesar da menor liquidez quando comparado a aplicações financeiras, o imóvel não depende diretamente da estabilidade de instituições bancárias ou fundos para existir. Além disso, tende a gerar renda, apresentar valorização ao longo do tempo e servir como proteção contra a inflação.

Proteção contra inflação e construção de patrimônio

A planejadora financeira e mestre em economia Kallenya Lima compartilha visão semelhante. Para ela, embora o episódio envolvendo o Banco Master não tenha provocado instabilidade sistêmica no mercado financeiro brasileiro, casos desse tipo costumam gerar dúvidas e insegurança entre investidores.

Segundo Kallenya, o investimento em imóveis possui como principal vantagem o fato de ser um ativo real, historicamente capaz de preservar o poder de compra ao longo do tempo.

Ela explica que o valor dos imóveis tende a incorporar os efeitos da inflação e ainda apresenta potencial de valorização com o passar dos anos.

“Um imóvel pode também cumprir múltiplas funções como moradia, geração de renda e composição patrimonial, o que o torna estratégico no planejamento financeiro de longo prazo”, afirma.

Planejamento é essencial antes de investir

Apesar das vantagens, Kallenya Lima destaca que o investimento imobiliário exige planejamento e análise cuidadosa. Diferentemente de muitos produtos financeiros, a aquisição de um imóvel costuma envolver um aporte inicial mais elevado, além de custos relacionados à manutenção e gestão do bem.

Por esse motivo, a especialista orienta que o imóvel não deve ser analisado isoladamente, mas sim como parte de uma estratégia patrimonial mais ampla.

“O imóvel deve estar inserido em um planejamento financeiro equilibrado, alinhado aos objetivos e ao momento de vida de cada pessoa”, esclarece.

Educação financeira e diversificação

Kallenya também ressalta que não é correto condenar os investimentos financeiros apenas por não oferecerem garantia absoluta. Segundo ela, o caminho mais seguro é investir em educação financeira, compreendendo os diferentes níveis de risco, prazos e garantias disponíveis no mercado.

Ela lembra que deixar dinheiro parado, ou guardado sem rendimento, também representa risco.

“A segurança, definitivamente, também não está em deixar dinheiro parado, muito menos ‘embaixo do colchão’, onde a inflação corrói o poder de compra ao longo do tempo”, afirma.

Entre os investimentos mais conhecidos no Brasil estão:

  • CDBs
  • Tesouro Direto
  • Poupança
  • LCIs
  • LCAs
  • Ações na bolsa
  • Fundos de investimentos (de renda fixa e imobiliários)

Com exceção das ações e da maioria dos fundos de investimento, muitos desses produtos são considerados conservadores, apresentando risco mais baixo. Eles podem inclusive ser utilizados como estratégia de poupança para formar o valor de entrada na compra de um imóvel.

Estratégia é fundamental para evitar frustrações

De forma geral, a educadora financeira destaca que os investimentos financeiros oferecem diversas possibilidades para quem deseja organizar melhor seus projetos de vida. Cada opção apresenta diferentes níveis de risco, prazo e potencial de rentabilidade.

Quando bem administrado, um conjunto de investimentos permite combinar segurança, liquidez e crescimento patrimonial ao longo do tempo.

Por outro lado, Kallenya alerta que muitas pessoas utilizam esses produtos sem estratégia definida, frequentemente influenciadas por modismos ou recomendações genéricas.

Essa falta de planejamento pode gerar frustrações e até perdas financeiras, principalmente quando o investidor espera resultados que aquele tipo de aplicação não foi projetado para oferecer.

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