Construção em estacionamentos de shoppings no Rio é um passo natural para cidades mais inteligentes
O projeto de lei que permite a construção de prédios em estacionamentos de shoppings, hipermercados e supermercados do Rio, sancionado em dezembro de 2025 pelo prefeito Eduardo Paes, não deveria causar estranhamento. Ao contrário: trata-se de um movimento natural, coerente com a forma como as grandes cidades do mundo vêm evoluindo e com a própria lógica de funcionamento desses empreendimentos.
Shoppings como âncoras urbanas
Shoppings são, por definição, âncoras urbanas. Eles atraem fluxo, criam vitalidade e concentram serviços que se irradiam para seu entorno. É perfeitamente natural e desejável que outras atividades se instalem ao seu lado, como escritórios, moradias, clínicas, educação, espaços de bem-estar e pequenas centralidades de serviços.
Maximização do uso do solo urbano
Essa lei abre, portanto, a porta para algo que a Urban Systems defende há muito tempo: a maximização do uso do solo urbano. A visão tradicional de que shoppings precisam de grandes áreas de estacionamento é um paradigma que vem mudando. A mobilidade evoluiu, o comportamento dos consumidores mudou e a utilização de espaços de estacionamento para outros usos pode ser uma estratégia de sucesso em muitos dos casos. Na maioria dos casos o ideal é conseguir implantar outros usos, como: residenciais, corporativas, educacionais ou de saúde, mas sem perder a capacidade de atendimento de demanda de estacionamento e sua geração de receitas.
Construir melhor, não apenas construir mais
Não é apenas de construir mais e sim sobre construir melhor, aproveitando infraestruturas já existentes e fortalecendo a lógica dos bairros planejados, onde as pessoas vivem, trabalham, estudam e consomem em um raio caminhável. Os shoppings sempre foram irradiadores de desenvolvimento. É isso que temos observado nos estudos realizados pela Urban Systems e nos projetos que acompanhamos ao lado dos principais grupos do setor. Temos visto movimentos semelhantes em diversos estados e trabalhado em iniciativas que reposicionam o shopping como peça central de ecossistemas urbanos completos.
Impactos positivos no entorno dos empreendimentos
A Urban Systems avaliou os impactos do desenvolvimento de projetos imobiliários no entorno de shoppings no Brasil, com o objetivo de identificar as externalidades positivas geradas pela implantação desses empreendimentos na área de influência imediata ao shopping.
Uma decisão necessária para o Rio de Janeiro
A decisão do Rio de Janeiro não é ousada e sim necessária. Ela atualiza o olhar sobre o papel dos shoppings e reconhece o potencial desses equipamentos como plataformas de diversidade urbana. Com essa mudança, ganharão os empreendedores, que poderão ativar áreas subutilizadas; ganharão as cidades, que têm espaços vazios improdutivos; e os moradores e os usuários, que passarão a contar com mais serviços, mais conveniência e mais vitalidade.
Urbanismo contemporâneo e cidades mais inteligentes
A lógica do urbanismo contemporâneo é clara: usos mistos geram cidades mais inteligentes, mais sustentáveis e mais humanas. O Rio de Janeiro deu um passo importante ao permitir que seus shoppings deixem de ser apenas destinos de consumo e se tornem peças-chave de uma cidade que funciona para todos.
Por Thomaz Assumpção, CEO da Urban Systems, consultoria de inteligência de mercado e planejamento urbano
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